O Copom cortou a Selic para 13,75%, mas a margem da sua empresa não vai sentir.
Descontada a inflação dos últimos 12 meses, o juro real do país segue perto de 9% ao ano. O corte de 0,25 ponto quase não altera essa conta.
Esse é o número que importa para decisão de investimento. O juro real é o retorno que a operação precisa entregar só para empatar com o custo do dinheiro.
E o custo da dívida de uma empresa média não é a Selic. É a Selic mais o spread do risco dela.
Na prática, a despesa financeira consome parte do resultado operacional antes de ele chegar ao caixa. Uma operação eficiente pode ter boa margem operacional e resultado líquido fraco por causa da estrutura de capital.
O Focus projeta Selic em 13,75% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027. O ciclo de queda não resolve esse problema dentro do horizonte de planejamento.
Se o custo de capital não vai cair rápido, a variável sob controle do CEO é o desenho do passivo. Prazo, garantia, indexador e concentração de vencimento.
Alongar passivo não muda a taxa do país, mas muda a pressão do vencimento sobre o caixa e devolve capacidade de investimento para a empresa.
A discussão do próximo comitê executivo não é para onde vai a Selic, mas é quanto de margem a estrutura de dívida atual está consumindo.