“Se o El Niño quebrar a safra, meu caixa aguenta o ano?”
É a pergunta que provavelmente mais tem martelado na cabeça de empresários do agro desde que o mercado foi alertado sobre um El Niño forte na safra 2026/27. O empresário não controla o clima, mas controla a estrutura financeira que vai atravessar esse período.
Analistas de mercado já colocaram o El Niño como a principal variável de risco da safra e alertam que uma quebra forte em Mato Grosso pode tirar 5 milhões de toneladas de soja da balança global.
O El Niño nem chegou, mas já tem feito preço. Segundo o Cepea, os preços já sobem e parte dos compradores antecipa aquisições, enquanto vendedores seguram volume à espera de condições melhores.
Toda essa movimentação depende de capital. Antecipar compra, formar estoque ou esperar o melhor momento de vender são decisões que exigem fôlego financeiro. Em um ano de crédito mais seletivo, quem conta apenas com o caixa corrente, geralmente decide sob pressão e falta estratégia.
É por isso que, na minha visão, o crédito precisa ser visto como parte estratégica do negócio, como parte do planejamento, com antecedência. Um capital de giro estruturado sustenta a operação ao longo da safra, e o alongamento de passivos evita trocar prazo por margem. A estrutura financeira certa devolve ao empresário a escolha de comprar, vender ou esperar, mesmo quando o clima não é favorável aos negócios.